Usando os recursos literários da ficção histórica, o autor aborda a gravíssima questão social brasileira: desigualdade, violência urbana, preconceitos, favelização crescente, religiosidade, falta de esperança ou esperança utópica. Reflexivo e bem elaborado, o enredo tem como pano de fundo o ineficiente e corrupto sistema político brasileiro e os meandros da sobrevivência do dia-a-dia da grande maioria da população brasileira. Chega o momento do BASTA, e da procura por uma vida mais autêntica, ética e plena. Do encontro de dois personagens diametralmente opostos na escala social pode surgir uma verdadeira transformação tendo-se como base padrões éticos e morais. O Capital aliado ao Trabalho pode produzir frutos sem haver a exploração natural de um pelo outro? Existirá uma saída digna e humana para o atual sistema político-econômico? O desenvolvimento da narrativa se passa em uma São Paulo, então, alcunhada de “a cidade que mais cresce no mundo”, entre meados do século XX e os dias atuais. Impossível não se identificar, e torcer, por alguns dos personagens de “Às margens do Ipiranga”.
